#Poema: A Ponte e o Fio
Autor: Claudio Gia
Macau, RN, 10 de abril de 2026
No mapa onde o Paraguai chora um nome,
Cabrita desenha a última trincheira.
A morte, que não cabe no esquadro,
vira ponte: a engenharia é a primeira
maneira de tecer o chão que falta.
Hoje, metalurgistas dobram o fogo
em ligas de luz e pó de estrela.
Areal comemora um século de pó e cal,
Rio das Ostras escreve versos no mangue —
toda cidade é um projeto em pé.
Abril tem duas cores:
azul, a tessitura silenciosa do autismo,
marrom, a lenta sombra que prepara a cegueira.
E o engenheiro, de prancheta e coração,
sabe que o visível é apenas um risco a mais
no plano infinito do que ainda não se vê.
Que a morte de um homem, em 1866,
não seja a última linha.
Que a ponte, afinal, é um fio
entre o que se calcula e o que se sente.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de abril de 2026 15:03
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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