OBRA-PRIMA

Marcelo Veloso

O poema ganha a rima,

num versado diferente,

deixando tudo em cima,

de uma prosa dependente.

 

Entre a estrofe e a métrica,

o refrão pede passagem,

como uma carga elétrica,

dando ao texto, uma voltagem.

 

E, assim, a poesia refuta,

todo destempero narrativo,

que faz da arte uma luta,

sem qualquer comparativo.

 

A cultura põe à prova,

a linguagem literal,

de que nada se renova,

se se cair no trivial.

 

Fica a emoção inspirada,

em forma de harmonia,

que, de tão bem estruturada,

se torna uma melodia.

 

Até o artifício da inteligência,

se verga ao lirismo resistente,

pois o que se tem na consciência,

é a capacidade criativa da mente.

 

E, no compasso do improviso,

o amor se faz na auto-estima,

e vagando entre a vergonha e o juízo,

o livro se torna uma obra-prima.

  • Autor: Marcelo Veloso (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de abril de 2026 12:14
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! Este poema é uma metalinguagem — ou seja, é a poesia falando sobre o próprio ato de escrever. Ele defende que a técnica (rima e métrica) não é apenas um adorno, mas a voltagem que dá vida ao texto. O autor sugere que a poesia precisa de harmonia e estrutura para se transformar em melodia. Ele valoriza o rigor técnico como uma forma de elevar o texto acima da prosa dependente e do trivial. O poema afirma que até a inteligência (que pode ser lida aqui como a lógica fria ou até o uso de ferramentas artificiais) se curva ao lirismo resistente. A verdadeira criação vem da capacidade criativa da mente e da emoção inspirada. No final, o texto celebra o compasso do improviso. A obra prima nasce desse equilíbrio delicado entre a técnica (juízo), a vulnerabilidade (vergonha) e a autoestima do criador. Em resumo, é um manifesto em favor da poesia clássica e lírica, argumentando que a beleza da forma é o que protege a arte de se tornar algo comum ou meramente narrativo. Parabéns pelo poema! Saudações poética!



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