Marcelo Veloso

OBRA-PRIMA

O poema ganha a rima,

num versado diferente,

deixando tudo em cima,

de uma prosa dependente.

 

Entre a estrofe e a métrica,

o refrão pede passagem,

como uma carga elétrica,

dando ao texto, uma voltagem.

 

E, assim, a poesia refuta,

todo destempero narrativo,

que faz da arte uma luta,

sem qualquer comparativo.

 

A cultura põe à prova,

a linguagem literal,

de que nada se renova,

se se cair no trivial.

 

Fica a emoção inspirada,

em forma de harmonia,

que, de tão bem estruturada,

se torna uma melodia.

 

Até o artifício da inteligência,

se verga ao lirismo resistente,

pois o que se tem na consciência,

é a capacidade criativa da mente.

 

E, no compasso do improviso,

o amor se faz na auto-estima,

e vagando entre a vergonha e o juízo,

o livro se torna uma obra-prima.