O poema ganha a rima,
num versado diferente,
deixando tudo em cima,
de uma prosa dependente.
Entre a estrofe e a métrica,
o refrão pede passagem,
como uma carga elétrica,
dando ao texto, uma voltagem.
E, assim, a poesia refuta,
todo destempero narrativo,
que faz da arte uma luta,
sem qualquer comparativo.
A cultura põe à prova,
a linguagem literal,
de que nada se renova,
se se cair no trivial.
Fica a emoção inspirada,
em forma de harmonia,
que, de tão bem estruturada,
se torna uma melodia.
Até o artifício da inteligência,
se verga ao lirismo resistente,
pois o que se tem na consciência,
é a capacidade criativa da mente.
E, no compasso do improviso,
o amor se faz na auto-estima,
e vagando entre a vergonha e o juízo,
o livro se torna uma obra-prima.