Fui abrigo aberto ao vento,
onde todos entravam sem bater.
Curava dores que não eram minhas,
enquanto a minha ficava sem nome.
Chamavam-me quando o mundo desabava,
e esqueciam-me quando o sol voltava.
E eu fui ficando assim —
cheia de todos,
vazia de mim.
Até que o cansaço falou mais alto
do que a vontade de agradar.
Fechei portas que nunca me protegeram,
recolhi-me para dentro da minha alma
e comecei a ouvir-me.
E descobri: há um mundo onde eu pertenço —
onde não sou usada,
onde não sou esquecida,
onde não preciso me perder para ser amada.
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Autor:
MAISA NALAPE (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de abril de 2026 06:59
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 85
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Rogério, Patty Alves
- Em coleções: Maisa Nalape.

Offline)
Comentários3
Despertar para auto pertencimento, profundidade que vamos ganhando aos poucos, parabéns, Poetisa!
Gratidão. É isso que a vida faz quando a gente começa a escutar de verdade:
ela não grita, ela responde baixinho, em nós.
Que linda!
Gratidão. Estimado amigo
Precisamos sempre lembrar que é necessário nos cuidarmos e nos amar, na mesma medida que amamos os outros, eu diria até que as vezes nos amar mais do que o outro. Amei o poema reflexivo. Me identifiquei, parabéns Maisa.
Fico muito feliz que tenha se identificado.
É exatamente isso, a gente precisa aprender a se cuidar e se amar também. Obrigada pelo carinho!
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