MAISA NALAPE

Despertar

Fui abrigo aberto ao vento,

onde todos entravam sem bater.

 

Curava dores que não eram minhas,

enquanto a minha ficava sem nome.

 

Chamavam-me quando o mundo desabava,

e esqueciam-me quando o sol voltava.

 

E eu fui ficando assim —

cheia de todos,

vazia de mim.

 

Até que o cansaço falou mais alto

do que a vontade de agradar.

 

Fechei portas que nunca me protegeram,

recolhi-me para dentro da minha alma

e comecei a ouvir-me.

 

E descobri: há um mundo onde eu pertenço —

onde não sou usada,

onde não sou esquecida,

onde não preciso me perder para ser amada.