Hoje eu não sei o que sinto
sei só que rasga.
Arde como ferida aberta,
sufoca como mãos no meu pescoço.
Enterrei tudo.
Cavei fundo, fundo demais,
com as próprias mãos,
até sangrar.
Mas nada morreu.
O que eu enterrei respira.
Se debate.
Grita lá de baixo,
arranhando o caixão,
rasgando o silêncio,
implorando para sair.
E eu ouço.
Eu sempre ouço.
Será que sentimentos morrem?
Ou apodrecem vivos,
exalando dor,
até virarem assombração dentro da gente?
Porque você volta
não como lembrança,
mas como presença.
Quente. Colada na minha pele.
Hoje estou sozinha.
Nenhuma novidade.
Mas não vazia.
Vazia seria um alívio.
Eu estou cheia
cheia de um grito preso na garganta,
de um choro que sufoca meus pulmões,
de você.
Do seu cheiro.
Da sua ausência que pesa
mais do que qualquer presença
Tem algo em mim que ainda te chama,
mesmo sabendo
que ninguém responde
do outro lado.
E ainda assim,
Sendo o mundo,
meu amargo amor,
Um lugar horrível,
É só você,
com seu calor,
sua doçura,
sua leveza,
que poderia
me salvar.
Ciente disso,
já sou uma alma
condenada.
Condenada a viver
Com fantasmas
de um amor possível
que tão pouco existiu,
mas nunca deixou de doer.
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Autor:
Camila Heloise dos Santos (
Offline) - Publicado: 9 de abril de 2026 00:54
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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