O Bom Boémio

Francisco Ribeiro

Lembro-me de cada copo que bebi

e de cada balcão a que me sentei,

das bebidas que só vi —

nunca bebi o que não paguei…

 

não conta o meu olhar

nem quanto assim bebi

não tem que contar

o que com os lábios não toquei

o que na boca não senti

 

lembro-me de cada banco em cada bar,

cada música que ouvi tocar,

e de cada garrafa que despejei…

 

Entornado dentro de mim,

trago cada amor que então vivi —

cada copo que emborquei…

 

não conta o meu olhar

nem quanto assim bebi

não tem que contar

o que com os lábios não toquei

o que na boca não senti

 

lembro-me de cada expressão

no teu rosto

lembro-me do sorriso maroto —

quando me desafiavas dançando…

e do eterno desafio

do peso do bolso vazio

nessa bebida com que vou sonhando

 

cada curva do teu corpo

nas minhas névoas se insinuando

 

Lembro-me que —

por detrás das bolhas trocistas —

umas cócegas esquisitas,

abriam-te nos lábios um sorriso…

Atrevidas anarquistas,

enquanto iam —  equilibristas —

pelo teu nariz saltitando…

 

E da leve mordida no teu lábio,

sedutora,

atrevida,

com que me ias desafiando…

 

não conta o meu olhar

nem quanto assim bebi…

  • Autor: Francisco Ribeiro (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de abril de 2026 08:17
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 0


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