Verde verso,
Para verdes só vos peço:
É preciso ver de verso,
Ver de dentro,
Ver de perto...
Verde lago,
Já me apresso a ver de onde recomeço
Navegar entre estes vales
E beber de teu regaço
O vinho desesperado
Das uvas que mesmo faço
No confim dos desamados...
Verde verso,
Só te peço
Ver da alma
O tempo e a estrada
À casa desabastada.
(Lamenta da madrugada
Os dias que levam a nada!...)
Verde verso,
Te confesso
Meu tempo degenerado,
Meus versos desesperados,
E as noites capturadas
De luas cumpliciadas
A desesperos confessos...
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Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de abril de 2026 14:40
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 16
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários2
Legal o seu poema! Você usou bem a figura de Liguagem chamada alteração! Parabéns!
Obrigado pela gentileza. Um abraço.
Boa noite poeta! A repetição de Ver de verso, Ver de dentro e Ver de perto, sugere que a poesia exige uma visão que atravessa a superfície. O verde aqui simboliza esperança ou renovação, mas que só é alcançada através de uma análise minuciosa da alma. O eu lírico transita de um desejo de navegação (Navegar entre estes vales) para uma confissão de dor. O vinho desesperado feito das próprias uvas indica que a arte nasce do sofrimento pessoal e do esforço individual no confim dos desamados. Há um tom de melancolia crescente. A menção à casa desabastada e aos dias que levam a nada, evoca uma sensação de vazio existencial e de tempo perdido, onde a madrugada funciona como um espaço de lamentação. Na última estrofe, o poema assume um tom confessional. O autor admite o tempo degenerado e o desespero confesso, revelando que a escrita é, ao mesmo tempo, sua captura e sua libertação sob a luz de luas cumpliciadas. É um poema metalinguístico que usa a cor e o som para explorar a melancolia de um autor que tenta encontrar destino em versos nascidos do desespero. Parabéns pelo poema! Abraço poético.
Muito obrigado pela linda análise do poema. É melancolia e um pouco de esperança.
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