Quando eu for só silêncio e poeira,
um nome apagado na lápide inteira,
e o tempo, com passos tão frios e certos,
calar os meus sonhos já longos, desertos…
Quando a carne, outrora vaidosa e vaivém,
for só banquete de vermes também,
e a alma, se houver, flutuar na neblina,
restará no ar minha essência em ruína.
O perfume da morte, pungente, discreto,
sem rosas, sem velas, sem canto, sem teto,
será meu legado, meu rastro final,
um eco químico, quase imortal.
Cadê o sujeito que sonhou ser eterno?
Virou só nutriente do chão mais moderno.
Cadê o olhar que buscava sentido?
Sumiu dissolvido, fedendo ao olvido.
Cadaverina será meu perfume,
sem “Chanel”, sem glamour, sem queixume.
Talvez até alguém diga: "Que fedor!"
Mal sabe que fui feito de amor…
Mas, a minha decomposição que ora declina,
serei útil, talvez para uma flor pequenina,
ou um fungo que dance no meu coração,
com mais leveza do que tive em vão.
E os vivos, tão cheios de urgência e rotina,
passarão por mim, essência da ruína.
Não serei lembrança, nem verso, nem sina,
só a química fria… da cadaverina.
Mas quem sabe, no chão, entre musgos e folhas,
brotem flores das partes que um dia foram minhas escolhas.
Talvez, na podridão, haja vida que ensina:
até no fim, há beleza…na cadaverina.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de abril de 2026 06:56
- Categoria: Gótico
- Visualizações: 5

Offline)
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