O amor é lindo.
Até você perceber
que entrega demais
e recebe migalhas.
Não digo
que tudo deva ser devolvido
na mesma intensidade.
O amor não é matemática.
Mas não é desgastante?
Acho que é.
Digo que é.
Há algo cansado
em estender as mãos
e voltar com elas vazias.
Que engraçado, não?
Tão unilateral.
Aliás,
da minha parte.
Faço tudo por você — ninguém.
E adivinha?
Você, ninguém,
não faz nada por mim.
Talvez o mais cruel
seja isso:
amar alguém
que ainda não existe,
e mesmo assim
sentir falta.
Desconfio
que amar tenha esse destino
um pouco injusto,
um pouco silencioso.
Deveria eu aceitar
que não posso mudar você — ninguém.
E aceitar também
que amar
talvez me obrigue
a não permanecer a mesma.
Porque quem ama
se desloca.
se entrega.
se perde um pouco.
E às vezes
se encontra
naquilo que ficou.
— Lyn,
em fragmentos
-
Autor:
Lyn (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de abril de 2026 09:41
- Comentário do autor sobre o poema: esses poemas não contam histórias. eles interrompem. cada fragmento é um pensamento solto, uma ironia silenciosa, ou um sentimento que ninguém percebeu. talvez você se reconheça. talvez não. poemas inúteis para quem não sabe amar.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Drica
- Em coleções: Poemas Inúteis Para Quem Não Sabe Amar.

Offline)
Comentários1
Difícil amor unilateral. Chega ser infantil, dar e não receber ou muito pouco. AMEI SEU POEMA!
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.