O amor é lindo.
Até você perceber
que entrega demais
e recebe migalhas.
Não digo
que tudo deva ser devolvido
na mesma intensidade.
O amor não é matemática.
Mas não é desgastante?
Acho que é.
Digo que é.
Há algo cansado
em estender as mãos
e voltar com elas vazias.
Que engraçado, não?
Tão unilateral.
Aliás,
da minha parte.
Faço tudo por você — ninguém.
E adivinha?
Você, ninguém,
não faz nada por mim.
Talvez o mais cruel
seja isso:
amar alguém
que ainda não existe,
e mesmo assim
sentir falta.
Desconfio
que amar tenha esse destino
um pouco injusto,
um pouco silencioso.
Deveria eu aceitar
que não posso mudar você — ninguém.
E aceitar também
que amar
talvez me obrigue
a não permanecer a mesma.
Porque quem ama
se desloca.
se entrega.
se perde um pouco.
E às vezes
se encontra
naquilo que ficou.
— Lyn,
em fragmentos