SEM NOME (OU O INSTANTE EM QUE TE DIGO A VERDADE)

Sezar Kosta

Há um ponto em que o silêncio já não serve,

em que a palavra nasce como quem pede abrigo.

E eu te digo — não como quem confessa um erro,

mas como quem aprende a existir sem véu —

que amar é este gesto de tirar as máscaras

sem saber ao certo o que resta por baixo.

 

Não te ofereço pureza,

porque não a tenho.

Ofereço o que pulsa — imperfeito, vivo,

com pequenas rachaduras por onde a luz insiste.

 

Perdoar, descobri,

não é esquecer a ferida,

mas deixá-la respirar

até que deixe de doer como antes.

 

E há uma ternura quase invisível

em ficarmos —

mesmo quando poderíamos partir.

 

Ficarmos como quem reaprende o nome do outro

com a delicadeza de quem toca água.

 

Hoje eu te escolho

não pela falta de medo,

mas pela coragem de não fugir.

  • Autor: Sezar Kosta (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de abril de 2026 20:57
  • Comentário do autor sobre o poema: Há momentos em que ficar em silêncio já não protege, e falar se torna um jeito honesto de existir sem esconder quem se é. Amar, então, vira esse ato corajoso de se mostrar por inteiro, mesmo sem garantias sobre o que será encontrado. O que se oferece não é perfeição, mas algo real: cheio de falhas, ainda assim cheio de vida e espaço para a luz entrar. Permanecer ao lado de alguém passa a ser uma escolha consciente, feita apesar dos medos, com uma delicadeza que reaprende o outro a cada dia.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 13
  • Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, Luana Santahelena
  • Em coleções: Meus Poemas de Amor.
Comentários +

Comentários1

  • Luana Santahelena

    Nesta Páscoa, celebre com presença, carinho e verdade. Mais que pratos fartos, valorize gestos que acolhem, silêncios que acalmam e perdões que libertam. O essencial está nas atitudes simples que transformam.



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