Há um ponto em que o silêncio já não serve,
em que a palavra nasce como quem pede abrigo.
E eu te digo — não como quem confessa um erro,
mas como quem aprende a existir sem véu —
que amar é este gesto de tirar as máscaras
sem saber ao certo o que resta por baixo.
Não te ofereço pureza,
porque não a tenho.
Ofereço o que pulsa — imperfeito, vivo,
com pequenas rachaduras por onde a luz insiste.
Perdoar, descobri,
não é esquecer a ferida,
mas deixá-la respirar
até que deixe de doer como antes.
E há uma ternura quase invisível
em ficarmos —
mesmo quando poderíamos partir.
Ficarmos como quem reaprende o nome do outro
com a delicadeza de quem toca água.
Hoje eu te escolho
não pela falta de medo,
mas pela coragem de não fugir.
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Autor:
Sezar Kosta (
Offline) - Publicado: 4 de abril de 2026 20:57
- Comentário do autor sobre o poema: Há momentos em que ficar em silêncio já não protege, e falar se torna um jeito honesto de existir sem esconder quem se é. Amar, então, vira esse ato corajoso de se mostrar por inteiro, mesmo sem garantias sobre o que será encontrado. O que se oferece não é perfeição, mas algo real: cheio de falhas, ainda assim cheio de vida e espaço para a luz entrar. Permanecer ao lado de alguém passa a ser uma escolha consciente, feita apesar dos medos, com uma delicadeza que reaprende o outro a cada dia.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 13
- Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, Luana Santahelena
- Em coleções: Meus Poemas de Amor.

Offline)
Comentários1
Nesta Páscoa, celebre com presença, carinho e verdade. Mais que pratos fartos, valorize gestos que acolhem, silêncios que acalmam e perdões que libertam. O essencial está nas atitudes simples que transformam.
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