Sezar Kosta

SEM NOME (OU O INSTANTE EM QUE TE DIGO A VERDADE)

Há um ponto em que o silêncio já não serve,

em que a palavra nasce como quem pede abrigo.

E eu te digo — não como quem confessa um erro,

mas como quem aprende a existir sem véu —

que amar é este gesto de tirar as máscaras

sem saber ao certo o que resta por baixo.

 

Não te ofereço pureza,

porque não a tenho.

Ofereço o que pulsa — imperfeito, vivo,

com pequenas rachaduras por onde a luz insiste.

 

Perdoar, descobri,

não é esquecer a ferida,

mas deixá-la respirar

até que deixe de doer como antes.

 

E há uma ternura quase invisível

em ficarmos —

mesmo quando poderíamos partir.

 

Ficarmos como quem reaprende o nome do outro

com a delicadeza de quem toca água.

 

Hoje eu te escolho

não pela falta de medo,

mas pela coragem de não fugir.