Há um ponto em que o silêncio já não serve,
em que a palavra nasce como quem pede abrigo.
E eu te digo — não como quem confessa um erro,
mas como quem aprende a existir sem véu —
que amar é este gesto de tirar as máscaras
sem saber ao certo o que resta por baixo.
Não te ofereço pureza,
porque não a tenho.
Ofereço o que pulsa — imperfeito, vivo,
com pequenas rachaduras por onde a luz insiste.
Perdoar, descobri,
não é esquecer a ferida,
mas deixá-la respirar
até que deixe de doer como antes.
E há uma ternura quase invisível
em ficarmos —
mesmo quando poderíamos partir.
Ficarmos como quem reaprende o nome do outro
com a delicadeza de quem toca água.
Hoje eu te escolho
não pela falta de medo,
mas pela coragem de não fugir.