Não são ponteiros de um relógio
— seguem
um abraço desarma
sem foguetes
um beijo
roça e acende
há mãos que avançam
mal sabem
guardam toques
sem nome
o tempo não passa
porta entreaberta
lua caída no chão
quando nada responde
não é vazio
é parada
(aprendi tarde)
e mesmo assim
estou
não por quem chega
mas por isso
que em mim
não se completa
-
Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 4 de abril de 2026 19:59
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Olá poeta! Boa noite! O poema abre com uma negação: Não são ponteiros de um relógio. O autor estabelece que a vida e o sentimento não seguem o ritmo das máquinas. O tempo é medido por gestos que desarmam ou acendem (o abraço, o beijo). É um tempo que não passa no sentido de ir embora, mas que fica ou se transforma em porta entreaberta. Há uma valorização do que é sutil e não nomeado: Toques sem nome: Sugere que as conexões humanas mais profundas são aquelas que a linguagem não consegue rotular. O eu lírico traz uma lição de maturidade (aprendi tarde): quando não há resposta, não significa que há um buraco ou ausência, mas sim uma parada. É o reconhecimento de que o silêncio também é uma forma de presença. As estrofes finais são de uma honestidade profunda sobre a própria existência: Estou: O verbo aparece seco, absoluto. O eu lírico afirma sua presença no mundo independentemente do outro. O Não por quem chega: Ele desloca a expectativa de fora para dentro. A razão de sua permanência ou de seu estado emocional não é a chegada de alguém, mas a relação com a sua própria incompletude. O fechamento (isso que em mim não se completa) sugere que o que nos mantém vivos e em movimento é justamente o que falta, o desejo que permanece aberto, como a porta entreaberta mencionada antes. Meu abraço poético!
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