O papel é magnético,
me atrai quase sempre,
como se fosse um impulso
que me leva a escrever.
Quando começo,
sinto que dou vida
a algo momentâneo,
como uma fumaça,
subindo e variando:
lago, cavalo, odalisca
como uma miragem
formada pelo calor.
Dançando
vai nascendo,
frágil, receptiva
no papel pardo.
E a linha vai ganhando traço,
arredia e indomável,
como a caneta que a cria.
O fim é incerto, mas sempre vem,
quando me questiono:
fui eu que escrevi?
Aí paro, reflito.
O destino, às vezes,
leva para a gaveta;
outras, para um envelope
com um destinatário.
E a maioria, pelo assombro,
vira cinzas e fumaça
no braseiro.
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de abril de 2026 11:02
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2
- Em coleções: Silêncios.

Offline)
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