Crônica do Quarto Dia, Quarto Mês
Claudio Gia, Macau RN, 04/04/2026
No quarto dia do quarto mês, o tempo
hesita entre a cinza e o clarão.
Um parkinsoniano esboça um movimento
que a alma manda e a carne trai — canção
inacabada de um fio interrompido.
Lá fora, cães sem dono urdem o olfato
contra minas que a terra ainda esconde,
enquanto o santo (aquele com fama de ingrato
por ter nascido antes do wi-fi) responde
das nuvens: “Até o verbo precisa de rede”.
E a Microsoft, menina de cabelos grisalhos
aos cinquenta e um, desliga o telefone.
Marília sopra velas sobre os calos
de um povo que ainda finca o pé no chão.
Nós, os de Macau — sal e vento na fala —
olhamos o mapa:
cada data é uma trincheira.
Cada trincheira, um começo.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de abril de 2026 10:40
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7

Offline)
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