Te espero — mas já não como antes,
não na pressa ingênua de quem acredita no retorno,
te espero como quem guarda um tempo inteiro
dentro do peito, silencioso e morno.
Augusto, 1889 ainda respira em mim,
como um relógio que nunca aceitou parar,
e agora, em outro tempo, cada segundo que passa
é mais uma forma de te lembrar.
Eu te guardo nas coisas pequenas:
no vento que dobra a cortina ao entardecer,
no som distante de um trem que passa,
no vazio que insiste em não te esquecer.
Te espero — mas aprendi a existir na ausência,
a caminhar com tua falta ao meu lado,
como se fosses sombra e memória,
como se nunca tivesses partido.
Há dias em que dói como despedida recente,
outros em que és quase um sonho distante,
mas em todos, sem exceção,
te quero — inteiro, constante.
E se o tempo é esse abismo entre nós,
ainda assim me atrevo a atravessar:
com lembranças, com saudade, com tudo que fomos,
porque amar também é saber esperar.
E eu espero.
Mas te guardo no meu olhar.
-
Autor:
Jullyne and Jully (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 3 de abril de 2026 18:52
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.