O Vazio que me Habita

Mari Saes

Não temo a morte.

O que me desgasta e me põe insegura é o vazio _ a incoerência mórbida do tempo , a alternância das horas e o barulho surdo da vida se arrastando.

Não , não temo a partida a ansiedade rústica do desconhecido , a estranheza casta da mudança.

O que existe lá , nem sei _  Como posso exasperar-me com esse encontro?

Fatiga-me , no entanto a aspereza da solidão , o distorcer da face , a inadimplência das rugas.

Não me assusto com o apagar das luzes , com a conversa entrecortada , os sibilos desatinados, os choros convulsos.

O que me corta e me fere é a ausência póstuma do sorriso e da paz interior.

 

Mari Saes

  • Autor: Mari Saes (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de abril de 2026 17:44
  • Comentário do autor sobre o poema: Um mergulho sensível sobre a existência , onde o medo não está na morte , mas no vazio que se instala e na solidão. Um texto sobre sentir e resistir e perceber o que silenciosamente nos atravessa.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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