Não temo a morte.
O que me desgasta e me põe insegura é o vazio _ a incoerência mórbida do tempo , a alternância das horas e o barulho surdo da vida se arrastando.
Não , não temo a partida a ansiedade rústica do desconhecido , a estranheza casta da mudança.
O que existe lá , nem sei _ Como posso exasperar-me com esse encontro?
Fatiga-me , no entanto a aspereza da solidão , o distorcer da face , a inadimplência das rugas.
Não me assusto com o apagar das luzes , com a conversa entrecortada , os sibilos desatinados, os choros convulsos.
O que me corta e me fere é a ausência póstuma do sorriso e da paz interior.
Mari Saes