Por anos,
olhei para mim
como um espelho treinado
para refletir o que os outros esperavam ver.
Fui molde.
Fui silêncio.
Fui resposta antes mesmo da pergunta existir.
Vesti expectativas
como se fossem pele —
e esqueci onde terminava o mundo
e começava eu.
Dizem que falhei…
mas ninguém me disse onde.
Reviro memórias
como quem procura um erro
numa página que nunca se escreveu sozinha.
O que não fiz?
O que não disse?
Em que momento meus olhos não ficaram?
Ou será que fiquei demais…
onde ninguém sequer estava?
Nunca fui perfeito —
e isso eu sei.
Mas também nunca fui metade
quando me pediam inteiro.
E ainda assim,
sou eu quem carrega o peso
de não ter sido suficiente.
É curioso…
como aprendi a me colocar no lugar dos outros
mesmo quando era eu quem sangrava.
Eu sentia por dois,
compreendia por três,
perdoava por um mundo inteiro.
Mas quando a dor tem o meu nome,
o mundo fica surdo.
Ninguém se inclina.
Ninguém pergunta.
Ninguém fica.
Todos têm algo a dizer —
até o silêncio ganha voz
quando é para me julgar.
E eu?
Eu continuo aqui…
um lugar que ninguém visita,
um grito que ninguém escuta,
um coração que aprendeu
a bater baixo
para não incomodar.
Mas há algo que ninguém entende —
nem mesmo aqueles que foram embora:
ser quem sente demais
não é fraqueza.
É sobreviver
mesmo quand
o o mundo escolhe ir embora...
Era muita tolice!
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Autor:
Amarildo gastão (
Offline) - Publicado: 2 de abril de 2026 19:10
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1
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