Perdi-te há cem anos —
ou foi o tempo que nos perdeu
no véu silencioso da eternidade?
Desde então, caminho entre sombras suaves,
onde a morte não é fim,
mas um corredor longo
onde tua ausência ecoa como um sussurro sem resposta.
Despedi-me de ti sem saber
que era despedida.
Teus olhos ainda guardavam o dia,
enquanto os meus já pressentiam a noite.
E parti…
ou talvez tenha ficado
presa no instante em que teu nome
se tornou eterno dentro de mim.
Há um amor que não morre —
apenas muda de morada.
Deixa o corpo,
abandona o toque,
mas permanece…
como um vento que não se vê,
mas nunca deixa de existir.
Cem anos, meu amor…
e ainda te encontro
nos intervalos do tempo,
nos sonhos que não envelhecem,
nas lembranças que recusam o esquecimento.
Se a morte nos separou,
foi apenas no que é visível.
Pois naquilo que é eterno,
seguimos —
lado a lado —
em silêncio,
em saudade,
em um amor que nem o tempo ousou apagar.
E quando o véu finalmente cair,
e o tempo deixar de nos esconder,
hei de te reconhecer —
não pelo rosto,
mas pela eternidade
que ainda pulsa em nós.
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Autor:
Jullyne and Jully (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de abril de 2026 15:30
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Em coleções: POESIAS D\'Mundo.

Offline)
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