julianahoffmannliska

ETERNA NO SEU AMOR

Perdi-te há cem anos —
ou foi o tempo que nos perdeu
no véu silencioso da eternidade?

Desde então, caminho entre sombras suaves,
onde a morte não é fim,
mas um corredor longo
onde tua ausência ecoa como um sussurro sem resposta.

Despedi-me de ti sem saber
que era despedida.
Teus olhos ainda guardavam o dia,
enquanto os meus já pressentiam a noite.

E parti…
ou talvez tenha ficado
presa no instante em que teu nome
se tornou eterno dentro de mim.

Há um amor que não morre —
apenas muda de morada.
Deixa o corpo,
abandona o toque,
mas permanece…
como um vento que não se vê,
mas nunca deixa de existir.

Cem anos, meu amor…
e ainda te encontro
nos intervalos do tempo,
nos sonhos que não envelhecem,
nas lembranças que recusam o esquecimento.

Se a morte nos separou,
foi apenas no que é visível.
Pois naquilo que é eterno,
seguimos —
lado a lado —
em silêncio,
em saudade,
em um amor que nem o tempo ousou apagar.

E quando o véu finalmente cair,
e o tempo deixar de nos esconder,
hei de te reconhecer —
não pelo rosto,
mas pela eternidade
que ainda pulsa em nós.