ELA

David O. FURT.

As lutas do meu dia, já não sou eu quem luta.
Fico mais distante, pois, se fosse eu, estariam de luto.

Ainda me pergunto se vale a pena...

Mas lembro: houve um julgamento.
Para libertar aqueles que se venderam.

Eis o que é sujo:
lama, que é o desejo de olhar, ouvir, sentir, expressar, descobrir...

Olho para o meu copo e vejo o quão quebrado já estive.
Do quão escravo já fui da minha própria lama.

 

Os demônios voltam,
sussurram ao meu ouvido:
— Tens mais força para continuar
ou mais coragem para desistir?

Respondo: há um Deus que me observa e me ama,

não posso traí-lo de novo...
Eles dizem: afaste-se dEle novamente,

tu sabes que Ele entenderá.

Ouço, baixo, a voz do meu Senhor: Ato de fé, permaneça de pé.
Então: minha alma sangra.

Como posso duelar comigo mesmo?
Entre lados que nunca deveriam existir para um cristão.

Me questiono:

Ou será que não?
Seria eu melhor que alguém para não ser tentado também?

Seria eu melhor que meu senhor?

Que no deserto não ouviu a voz que o tentava para se entregar a ela?

Eu sei a voz que devo escutar,
Sei a fé que devo ter e em quem crer.
O amor ao qual devo me apegar, esperar, guardar...
Me envolver.
E que jamais deveria largar.

 

Deram um nome para isso,
Mas, prefiro chamar de “ela”.

E se for ela?
Ela — quem devo largar,
Ela — quem devo segurar,
Acreditar, ouvir, olhar, sentir...

Uma confusão, se ficar longe machuca,

Se ficar próximo se assusta,

Cada ato parece um dúvida.

 

Ela é a corda.
Aquela que achei impossível soltar,
Mais difícil ainda segurar,
A mesma que um dia pensei não mais existir.
Mas ela volta, tentando me fazer desistir.
De repente! Com um puxão inesperado.
Um susto! Quase volto à lama.
Me deixando desesperado.

As mãos sangram,
Os olhos ardem,
Os ouvidos não ouvem,
Meus sentidos se perdem
Entre os lamentos dos meus sentimentos.

Ela é aquilo que um dia esteve aqui.
No outro, não mais.
Um dia perfeito,
No outro, nem tanto.
Amava demais,
No outro, me odiando.
Muitos a têm, mas eles a seguram, 
eu, não posso segurá-la.

Mas quem é ela?
Senão aquilo
Impossível de segurar,
de entender,
de questionar,
de sofrer,
de amar e... morrer.

Ela também é:
Um dia errado,
No outro, nem tanto.
Tudo perdido,
No outro, se achando.
No final,
Não era ela quem segurava.
Não foi ela quem sangrou,
Não é ela quem sangra e
Não é ela quem morreu pela corda.

No final,
Foi Ele, é Ele e será Ele.
Ele foi traído, negado,
Amado e odiado,
Ao mesmo tempo.


Mas eu, em outro momento,
Quero ser apenas amado,
Nunca odiado, nem traído,
Pouco questionado, ah...
E sem ser falsamente acusado.

Por uns,
Pelos seus,
Por outros,
No final...
Por todos.

Posso acreditar em outro amor?
Posso querer crer em quem não vai entender?

O ato de fé... foi dito, para permanecer de pé
É crer para ver
E não ver para crer.


Dirão: louco.
E eu confirmo:
Louco sou.

Louco por Cristo,
Por seu amor,
Envolvido em seus mistérios,
Em um calor.
o que for frio e gelado,
jamais entenderá a dor.

Mas do pouco que entendo, afirmo, sem medo:
Não será ela quem vai me manipular.
Nunca foi sobre ela, sempre foi sobre Ele.

 

Tem algo que vai segurar,
O amor na luz que foi o mesmo na escuridão.
Que continua a me guiar
Mesmo sobre falsa acusação.

Não posso desistir de caminhar,

Então lhe peço apenas um momento,

filtrem essa voz, que vem do coração.

  • Autor: David O. FURT. (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de abril de 2026 11:40
  • Comentário do autor sobre o poema: Ela pode ser o amor, a raiva, a tristeza, o que me puxa, o que me empurra, o que me segura, o que me solta, o que me ajuda, o que me mata, no final mesmo que ela tenha bons momentos, acredito que seja mais para o mal. Pois não importa como ela é, o que ou aonde é, mas como eu lido com ela, ela também está lá, como uma parte de mim, mas ela também some, com outra parte de mim mesmo. No final, é tudo minha culpa, pois sempre foi sobre Ele.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2


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