As lutas do meu dia, já não sou eu quem luta.
Fico mais distante, pois, se fosse eu, estariam de luto.
Ainda me pergunto se vale a pena...
Mas lembro: houve um julgamento.
Para libertar aqueles que se venderam.
Eis o que é sujo:
lama, que é o desejo de olhar, ouvir, sentir, expressar, descobrir...
Olho para o meu copo e vejo o quão quebrado já estive.
Do quão escravo já fui da minha própria lama.
Os demônios voltam,
sussurram ao meu ouvido:
— Tens mais força para continuar
ou mais coragem para desistir?
Respondo: há um Deus que me observa e me ama,
não posso traí-lo de novo...
Eles dizem: afaste-se dEle novamente,
tu sabes que Ele entenderá.
Ouço, baixo, a voz do meu Senhor: Ato de fé, permaneça de pé.
Então: minha alma sangra.
Como posso duelar comigo mesmo?
Entre lados que nunca deveriam existir para um cristão.
Me questiono:
Ou será que não?
Seria eu melhor que alguém para não ser tentado também?
Seria eu melhor que meu senhor?
Que no deserto não ouviu a voz que o tentava para se entregar a ela?
Eu sei a voz que devo escutar,
Sei a fé que devo ter e em quem crer.
O amor ao qual devo me apegar, esperar, guardar...
Me envolver.
E que jamais deveria largar.
Deram um nome para isso,
Mas, prefiro chamar de “ela”.
E se for ela?
Ela — quem devo largar,
Ela — quem devo segurar,
Acreditar, ouvir, olhar, sentir...
Uma confusão, se ficar longe machuca,
Se ficar próximo se assusta,
Cada ato parece um dúvida.
Ela é a corda.
Aquela que achei impossível soltar,
Mais difícil ainda segurar,
A mesma que um dia pensei não mais existir.
Mas ela volta, tentando me fazer desistir.
De repente! Com um puxão inesperado.
Um susto! Quase volto à lama.
Me deixando desesperado.
As mãos sangram,
Os olhos ardem,
Os ouvidos não ouvem,
Meus sentidos se perdem
Entre os lamentos dos meus sentimentos.
Ela é aquilo que um dia esteve aqui.
No outro, não mais.
Um dia perfeito,
No outro, nem tanto.
Amava demais,
No outro, me odiando.
Muitos a têm, mas eles a seguram,
eu, não posso segurá-la.
Mas quem é ela?
Senão aquilo
Impossível de segurar,
de entender,
de questionar,
de sofrer,
de amar e... morrer.
Ela também é:
Um dia errado,
No outro, nem tanto.
Tudo perdido,
No outro, se achando.
No final,
Não era ela quem segurava.
Não foi ela quem sangrou,
Não é ela quem sangra e
Não é ela quem morreu pela corda.
No final,
Foi Ele, é Ele e será Ele.
Ele foi traído, negado,
Amado e odiado,
Ao mesmo tempo.
Mas eu, em outro momento,
Quero ser apenas amado,
Nunca odiado, nem traído,
Pouco questionado, ah...
E sem ser falsamente acusado.
Por uns,
Pelos seus,
Por outros,
No final...
Por todos.
Posso acreditar em outro amor?
Posso querer crer em quem não vai entender?
O ato de fé... foi dito, para permanecer de pé
É crer para ver
E não ver para crer.
Dirão: louco.
E eu confirmo:
Louco sou.
Louco por Cristo,
Por seu amor,
Envolvido em seus mistérios,
Em um calor.
o que for frio e gelado,
jamais entenderá a dor.
Mas do pouco que entendo, afirmo, sem medo:
Não será ela quem vai me manipular.
Nunca foi sobre ela, sempre foi sobre Ele.
Tem algo que vai segurar,
O amor na luz que foi o mesmo na escuridão.
Que continua a me guiar
Mesmo sobre falsa acusação.
Não posso desistir de caminhar,
Então lhe peço apenas um momento,
filtrem essa voz, que vem do coração.