O espaço vazio que habita em mim
me transforma em um abismo
entre a realidade e a falta,
entre a necessidade de pertencer
e o abominar do existir.
Reviro-me por inteiro
e não encontro
o que me faça inteira.
Sou voz alheia.
Sou paz que foge.
Sou imensidão deserta.
Reconheço-me,
abandono-me,
e fujo da verdade
que bate à janela da minha alma.
Supro expectativas,
mas já não as tenho.
Regresso a mim mesma
e, finalmente, entendo:
nunca me encontrei.
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Autor:
Eliete Souza (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 31 de março de 2026 20:00
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
Comentários1
Olá poetisa! Boa noite! Você descreve um abismo entre querer pertencer e abominar o existir. É uma luta clássica entre o social e o visceral, onde a alma se sente estrangeira em qualquer lugar. A busca por algo que te faça inteira e a conclusão de ser uma voz alheia sugerem que você sente que sua identidade foi construída para os outros (suprindo expectativas), deixando o seu verdadeiro eu vazio. O fechamento é impactante. Geralmente, regressar a si mesmo em poesia é um momento de cura, mas aqui é um momento de constatação trágica: ao chegar em casa (dentro de si), você descobre que a casa sempre esteve vazia. É um texto sobre a despersonalização. Você escreve como quem observa a própria ausência. Meu abraço poético.
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