O espaço vazio que habita em mim
me transforma em um abismo
entre a realidade e a falta,
entre a necessidade de pertencer
e o abominar do existir.
Reviro-me por inteiro
e não encontro
o que me faça inteira.
Sou voz alheia.
Sou paz que foge.
Sou imensidão deserta.
Reconheço-me,
abandono-me,
e fujo da verdade
que bate à janela da minha alma.
Supro expectativas,
mas já não as tenho.
Regresso a mim mesma
e, finalmente, entendo:
nunca me encontrei.