Aterrorizante

Enri

Derramando mel nas minhas costuras,

o sangue abre fissuras,

glacê cobre minha carne latejante,

tão doce… tão aterrorizante.

 

Minhocas escrevem meu fim por dentro,

rasgam memórias, comem o centro,

meu corpo pequeno e distante

apodrece lento e aterrorizante.

 

A doçura mora nos detalhes,

nos restos, nos cortes, nos retalhes,

o cadáver é teu, és tu o comandante

desse amor morto e aterrorizante.

 

Estou morta, mas fico nas lembranças,

presa nas tuas frágeis esperanças,

fantasma doce, beijo cortante,

presença ausente e aterrorizante.

 

Chove terra na minha decomposição,

cada grão fecha nossa extinção,

da terra viro musgo rastejante,

verde quieto e aterrorizante.

 

De repente não há mais corpo, nem dor,

só húmus do antigo amor,

o tempo começa pulsante

num campo pequeno, verde vibrante.

 

Então me vejo rastejar diferente,

minhoca que mastiga o que sente,

transformo o cadáver em algo abundante,

renasço do horror aterrorizante.

 

Aterrorizante é florescer

exatamente onde precisei morrer.

 

  • Autor: Enri (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de março de 2026 15:49
  • Comentário do autor sobre o poema: Este poema faz parte da coletânea de poesias: ‘ABISSOMA’ , disponível no wattpad !! (link no perfil)
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: ABISSOMA.


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