Fresta

Oswaldo Jesus Motta

Tic

tac

na parede

um coração que não é meu

bate por mim

conta

o que esperam

horas alinhadas

como cadeiras

que ninguém puxa

nomes que visto

sem caber

o tempo —

não segura

vaza

pelas frestas

entre o que faço

e o que sou

disseram

nascer já atrasado

e chamar de vida

tic

tac

há um outro tempo

quase

sem número

sem ordem

um movimento

que falha

e segue

como água

batendo torto na margem

eu, você —

mudando

enquanto isso

cada segundo

desaprende a gente

até sobrar

não o feito

mas o instante

em que o ar entrou

sem pedir licença

fora do relógio



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