Tic
tac
na parede
um coração que não é meu
bate por mim
conta
o que esperam
horas alinhadas
como cadeiras
que ninguém puxa
nomes que visto
sem caber
o tempo —
não segura
vaza
pelas frestas
entre o que faço
e o que sou
disseram
nascer já atrasado
e chamar de vida
tic
tac
há um outro tempo
quase
sem número
sem ordem
um movimento
que falha
e segue
como água
batendo torto na margem
eu, você —
mudando
enquanto isso
cada segundo
desaprende a gente
até sobrar
não o feito
mas o instante
em que o ar entrou
sem pedir licença
fora do relógio