Veneza, 1879

julianahoffmannliska

Sob a lua cheia que desfia prata nos canais,

um silêncio antigo repousa nas pedras úmidas,

e os barcos — lentos, quase sonhos —

deslizam como segredos entre pontes cansadas.

Há música no ar, mas ninguém a vê,

talvez um violino esquecido em alguma janela,

ou o próprio coração da noite

batendo baixo, chamando por nós.

Te encontro ali, onde a água hesita

em ser reflexo ou profundidade,

teu olhar acende lanternas invisíveis

e faz da escuridão um lugar habitável.

As gôndolas passam como promessas,

e cada remada escreve um verso

que não ousamos dizer em voz alta —

mas que sentimos inteiro.

Quero te amar assim:

como quem se perde de propósito,

como quem atravessa a névoa

sem saber se há margem do outro lado.

E voltar…

voltar até o fim de mim,

onde já não sou só ausência ou caminho,

mas tudo aquilo que tua presença inventa.

Se o tempo nos chamar de volta,

que seja devagar, como esses barcos,

para que o amor permaneça suspenso

entre o instante e o eterno —

como Veneza sob a lua,

em 1879,

ainda intacta dentro do sonho

eu, você e a lua.

  • Autor: Jullyne and Jully (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de março de 2026 06:24
  • Comentário do autor sobre o poema: Minhas poesias elas remetem um amor de outras almas, vidas, lugares... é sobre atravessar o tempo. Meus poemas são livros dentro de uma estrofe.
  • Categoria: Espiritual
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: julianahoffmannliska
  • Em coleções: POESIAS D\'Mundo.


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