A gente se fala
como se fosse normal,
como se meu corpo não reagisse
toda vez que você chega perto.
E você nem imagina.
Nem imagina que, enquanto ri,
eu reparo no teu cabelo azul
como quem se perde fácil,
como se fosse impossível não olhar.
A gente já foi simples,
conversa solta, sem intenção.
Agora eu me controlo
em cada palavra
pra não deixar escapar demais.
Porque tem coisa em mim
que não é mais só amizade.
É vontade.
Vontade de chegar mais perto
sem precisar inventar motivo,
de encostar em você
como se fosse natural,
de te abraçar
sem ter que pensar antes.
Mas eu não faço.
Fico ali, do teu lado,
fingindo que é só mais um dia,
enquanto minha mente
cria mil jeitos de diminuir a distância
que eu não tenho coragem de quebrar.
E o pior é esse “quase”.
Quase encosto.
quase falo.
quase deixo claro.
Mas paro sempre antes.
Porque você ainda me vê
como sempre viu —
e eu sigo aqui,
com essa vontade escondida,
te olhando como quem sabe
exatamente o que quer,
mas finge
que não quer nada.
-
Autor:
Mirela Beatrís (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de março de 2026 21:56
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Victor_Poeta, Shmuel
- Em coleções: poesias.

Offline)
Comentários2
Esse poema me pegou de um jeito silencioso.
É aquele tipo de texto que parece simples, mas carrega uma dor que muita gente sente e não consegue falar.
O “quase” é o que mais machuca, porque mostra quando a gente quer alguém, mas fica preso no medo de perder a amizade ou estragar tudo.
É vontade lutando contra o silêncio o tempo todo.
Gostei muito da forma como o sentimento foi construído, principalmente nos detalhes e nas pausas, porque parece um pensamento que vai sendo guardado dentro do peito.
É uma poesia sensível, real e humana, daquelas que a gente lê e se identifica sem perceber.
Um poema que fala do amor ou da ausência dele. Senti uma pitada de solidão nos versos.
Abraços
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.