Sob a lua de chumbo deste tempo sem glória,
Contemplo as cinzas de uma antiga memória.
A espada repousa, pesada na mão,
Enquanto a desonra domina a nação.
Não vejo guerreiros, nem passos de luz,
Apenas a sombra que a cobiça conduz.
A Justiça (Gi), outrora forjada em verdade,
Hoje é um leilão de cinismo e vaidade.
Vendem o certo por moedas de prata,
Enquanto a retidão agoniza e desata.
O forte esmaga o justo sem dor ou pesar,
E o grito do inocente já não ecoa no ar.
Onde dorme a Honra (Meiyo), o sol do meu peito?
Vejo o falso louvado, o covarde satisfeito.
A palavra sagrada, promessa imortal,
Tornou-se um sopro no pântano moral.
Homens ocos rastejam, buscando vantagem,
Vestindo sorrisos, mas despidos de coragem.
Meu sangue ferve numa indignação feroz,
E ao silêncio do mundo, levanto a minha voz.
Como o sakura que cai no rigor da tormenta,
Vejo a era perder a virtude que a sustenta.
A Lealdade (Chugi) foi morta no altar do egoísmo,
E o respeito afunda num vasto abismo.
Olho as ruas de pedra, os templos de vidro,
E vejo um povo de si mesmo esquecido.
Temem a morte, mas não sabem viver,
Recusam a luta, esquecem o dever.
Trocaram a forja da alma por ouro ilusório,
Transformando a existência num triste velório.
Mas que o mundo desabe em seu próprio vazio,
Que o rio dos homens se torne sombrio.
Meu espírito é katana, polida e letal,
Não me curvo à lama, não me rendo ao mal.
Serei a última brasa do Caminho esquecido,
Guardando no peito a alma do Bushido.
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Autor:
Bardo de Ferro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de março de 2026 17:46
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 2

Offline)
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