Me dissestes não viver contos
Que a Terra não comporta sonhos
Mas olvidastes na imensidão do inconsciente
Que os contos e sonhos se entrelaçam no íntimo do ser
Me dissestes, não mais direis coisa alguma
Que outro rumo tomaste, em juras de paixão
Mas esquecestes das juras pretéritas
Quando o coração só sabia amar
Me olhastes nos olhos marejados de esperança
Que a despedida seria breve, e aguardaria até o alvorecer
Mas esquecestes das armadilhas de nós mesmos
Que sempre caímos transbordados por passageiros enganos
Mas agora que nada dissestes cativo na clausura do silêncio
Viverás feliz como pássaros, daqueles que não precisastes voar para se alimentar
Mas por vezes ao cantar, uma vaga lembrança incomodará
Daqueles incômodos sem destino nem rumo, mas cantará
Mas te digo, vivas como se a eternidade fosse uma promessa
Ame onde estejas, sorria onde o brilho do olhar pousar
Libera esse sentimento que em ti aprisionastes
Olvida o que foi e desperta para o estar
A essência jamais dissiparás
E quando as paixões aquietarem
O amor, então, florescerá
Agora, ame, simplesmente ame.
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Autor:
VEGA LIRA (
Offline) - Publicado: 27 de março de 2026 20:34
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira

Offline)
Comentários1
Olá poeta! Boa noite! O poema começa contestando uma visão pragmática da vida (A Terra não comporta sonhos). O eu lírico defende que o inconsciente é o lugar onde a realidade se mistura à fantasia, sugerindo que negar o sonho é negar uma parte essencial do ser humano. Há uma melancolia sobre a impermanência das promessas. Como as juras de amor antigas são substituídas por outros rumos. A aceitação de que somos vítimas de nossas próprias armadilhas e passageiros enganos. A imagem do pássaro que não precisa voar para se alimentar é poderosa. Ela sugere uma felicidade confortável, mas limitada (a clausura do silêncio). O poema prevê que, mesmo nessa zona de conforto, o canto trará uma vaga lembrança — um incômodo que prova que a essência daquela antiga conexão ainda vibra. Desprendimento: Olvida o que foi e desperta para o estar. É um chamado para o presente. O poema distingue paixão (que aquieta) de amor (que floresce). A mensagem final é generosa: o desejo de que o outro simplesmente ame, onde quer que esteja. Parabéns pelo poema! Meu abraço fraterno.
S2
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