Me dissestes não viver contos
Que a Terra não comporta sonhos
Mas olvidastes na imensidão do inconsciente
Que os contos e sonhos se entrelaçam no íntimo do ser
Me dissestes, não mais direis coisa alguma
Que outro rumo tomaste, em juras de paixão
Mas esquecestes das juras pretéritas
Quando o coração só sabia amar
Me olhastes nos olhos marejados de esperança
Que a despedida seria breve, e aguardaria até o alvorecer
Mas esquecestes das armadilhas de nós mesmos
Que sempre caímos transbordados por passageiros enganos
Mas agora que nada dissestes cativo na clausura do silêncio
Viverás feliz como pássaros, daqueles que não precisastes voar para se alimentar
Mas por vezes ao cantar, uma vaga lembrança incomodará
Daqueles incômodos sem destino nem rumo, mas cantará
Mas te digo, vivas como se a eternidade fosse uma promessa
Ame onde estejas, sorria onde o brilho do olhar pousar
Libera esse sentimento que em ti aprisionastes
Olvida o que foi e desperta para o estar
A essência jamais dissiparás
E quando as paixões aquietarem
O amor, então, florescerá
Agora, ame, simplesmente ame.