Mãos que ficam

Oswaldo Jesus Motta

Só ouço vozes

de branco, passam

— já era

— não tem mais jeito

a luz não chega inteira

fica pela metade

penumbra

vozes conhecidas

presas na garganta

alguém segura o choro

como se segurasse o tempo

outros falam em números

cores

medidas

que aprenderam

mas tem um intervalo

entre o que dizem

e o que não sabem

neste momento

alguma coisa insiste

não me movo

nem um dedo

os olhos abertos

também falham

leem protocolo

não veem o abismo

e mesmo assim

entre mãos que desistem

e as que ficam

passa alguma coisa

mínima

teimosa

quase nada

mas passa

  • Autor: Oswaldo Jesus Motta (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de março de 2026 14:42
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 1


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.