Oswaldo Jesus Motta

Mãos que ficam

Só ouço vozes

de branco, passam

— já era

— não tem mais jeito

a luz não chega inteira

fica pela metade

penumbra

vozes conhecidas

presas na garganta

alguém segura o choro

como se segurasse o tempo

outros falam em números

cores

medidas

que aprenderam

mas tem um intervalo

entre o que dizem

e o que não sabem

neste momento

alguma coisa insiste

não me movo

nem um dedo

os olhos abertos

também falham

leem protocolo

não veem o abismo

e mesmo assim

entre mãos que desistem

e as que ficam

passa alguma coisa

mínima

teimosa

quase nada

mas passa