Só ouço vozes
de branco, passam
— já era
— não tem mais jeito
a luz não chega inteira
fica pela metade
penumbra
vozes conhecidas
presas na garganta
alguém segura o choro
como se segurasse o tempo
outros falam em números
cores
medidas
que aprenderam
mas tem um intervalo
entre o que dizem
e o que não sabem
neste momento
alguma coisa insiste
não me movo
nem um dedo
os olhos abertos
também falham
leem protocolo
não veem o abismo
e mesmo assim
entre mãos que desistem
e as que ficam
passa alguma coisa
mínima
teimosa
quase nada
mas passa