A alvura e o corcel

Versos Discretos

Sob a penumbra que acaricia as colunas de mármore de nossa alcova,
Emerge a silhueta nívea, alva como o alabastro da Toscana,
Onde o ébano das madeixas flui em cascatas de seda noturna,
Contrastando com a palidez lunar que reveste tua anatomia soberana.

Meus olhos, cativos, repousam na magnitude de teus seios,
Orbes fartos e palpitantes, túrgidos em sua própria glória,
Enquanto minhas mãos, arquitetas de um desejo imemorial,
Amparam esse peso sagrado, moldando a carne que faz história.
Sinto a densidade dessa arquitetura viva entre meus dedos,
Enquanto o toque desperta o rubor nas pontas de tua bruma.

Eis que a flor de tua intimidade, pétala branca e apertada,
Abre-se em fenda sutil para acolher o cetro de meu ímpeto.
O falo, em riste e austero, busca o âmago de teu labirinto,
E ao penetrar o vácuo cálido, sente o abraço de teu recinto,
Onde a polpa de tua corola parece engolir a firmeza do aço,
Moldando-se ao vigor que a preenche, sem deixar espaço.

Tu te ergues e desces, amazona de instintos indomáveis,
Cavalgando o dorso de meu ser como se eu fosse um puro-sangue,
Um corcel de fogo sob o comando de tuas coxas de marfim.
Minhas mãos permanecem firmes, presas aos teus relevos,
Enquanto o ritmo de tua entrega dita a métrica de nosso fim.

O movimento é uma dança de sístole e diástole carnal,
Onde a brancura de tua pele se funde ao calor de meu porte,
E no clímax desse galope, entre gemidos de sintaxe arcaica,
Perdemo-nos no abismo onde a luxúria se faz nossa sorte.

Comentários +

Comentários1

  • Feiticeira

    Esse foi de tirar o fôlego literalmente Versos Discretos. Tudo na medida sensual, erótico na elegância e discreto. Ameiiii seu Poema erótico. Parabéns S2

    • Versos Discretos

      Obrigado pelo comentário. Volte sempre rs



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