Sob a penumbra que acaricia as colunas de mármore de nossa alcova,
Emerge a silhueta nívea, alva como o alabastro da Toscana,
Onde o ébano das madeixas flui em cascatas de seda noturna,
Contrastando com a palidez lunar que reveste tua anatomia soberana.
Meus olhos, cativos, repousam na magnitude de teus seios,
Orbes fartos e palpitantes, túrgidos em sua própria glória,
Enquanto minhas mãos, arquitetas de um desejo imemorial,
Amparam esse peso sagrado, moldando a carne que faz história.
Sinto a densidade dessa arquitetura viva entre meus dedos,
Enquanto o toque desperta o rubor nas pontas de tua bruma.
Eis que a flor de tua intimidade, pétala branca e apertada,
Abre-se em fenda sutil para acolher o cetro de meu ímpeto.
O falo, em riste e austero, busca o âmago de teu labirinto,
E ao penetrar o vácuo cálido, sente o abraço de teu recinto,
Onde a polpa de tua corola parece engolir a firmeza do aço,
Moldando-se ao vigor que a preenche, sem deixar espaço.
Tu te ergues e desces, amazona de instintos indomáveis,
Cavalgando o dorso de meu ser como se eu fosse um puro-sangue,
Um corcel de fogo sob o comando de tuas coxas de marfim.
Minhas mãos permanecem firmes, presas aos teus relevos,
Enquanto o ritmo de tua entrega dita a métrica de nosso fim.
O movimento é uma dança de sístole e diástole carnal,
Onde a brancura de tua pele se funde ao calor de meu porte,
E no clímax desse galope, entre gemidos de sintaxe arcaica,
Perdemo-nos no abismo onde a luxúria se faz nossa sorte.