Labirinto Interno
Eu me afogo em mim
sem água,
sem grito que atravesse a garganta—
só esse silêncio bruto
me esmagando por dentro.
Minha mente é um labirinto doente,
cheio de ecos que repetem
tudo aquilo que eu tento esquecer.
E eu ando em círculos,
sempre voltando pro mesmo lugar:
eu.
Tem algo quebrado aqui dentro,
eu sinto nas entrelinhas do pensamento,
na pausa entre uma respiração e outra
que às vezes pesa mais do que deveria.
É como se eu fosse multidão e vazio
ao mesmo tempo,
um corpo cheio de tudo
e completamente oco.
Ninguém vê.
Ninguém nunca vê.
Porque por fora eu ainda existo,
ainda respondo, ainda sorrio—
mas por dentro
eu estou desmoronando em silêncio.
E essa angústia…
não grita, não explode—
ela se infiltra,
lenta, cruel, constante,
como se quisesse me ensinar
a desaparecer aos poucos.
Eu me perco em pensamentos
que não têm saída,
portas que não abrem,
caminhos que não levam a lugar nenhum.
E no fim,
sempre sou eu
sozinha
dentro de mim mesma,
tentando escapar
de um lugar
que nunca me deixa ir.
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Autor:
Mirela Beatrís (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de março de 2026 08:19
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Lírios na Tempestade, Coutinho
- Em coleções: poesias.

Offline)
Comentários2
deu pra sentir o seu desespero e angustia, o mais estrenho foi que me identifiquei muito.
Belo poema.
Um verdadeiro lamento poético.
Parabéns!
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