Mirela

Labirinto Interno

Labirinto Interno


Eu me afogo em mim
sem água,
sem grito que atravesse a garganta—
só esse silêncio bruto
me esmagando por dentro.

Minha mente é um labirinto doente,
cheio de ecos que repetem
tudo aquilo que eu tento esquecer.
E eu ando em círculos,
sempre voltando pro mesmo lugar:
eu.

Tem algo quebrado aqui dentro,
eu sinto nas entrelinhas do pensamento,
na pausa entre uma respiração e outra
que às vezes pesa mais do que deveria.

É como se eu fosse multidão e vazio
ao mesmo tempo,
um corpo cheio de tudo
e completamente oco.

Ninguém vê.
Ninguém nunca vê.
Porque por fora eu ainda existo,
ainda respondo, ainda sorrio—
mas por dentro
eu estou desmoronando em silêncio.

E essa angústia…
não grita, não explode—
ela se infiltra,
lenta, cruel, constante,
como se quisesse me ensinar
a desaparecer aos poucos.

Eu me perco em pensamentos
que não têm saída,
portas que não abrem,
caminhos que não levam a lugar nenhum.

E no fim,
sempre sou eu
sozinha
dentro de mim mesma,
tentando escapar
de um lugar
que nunca me deixa ir.