A Matemática em Toda Parte
Claudio Gia
Macau – RN, 26 de março de 2026
No catorze de março, o número irracional
se faz festa em cada canto universal.
Mas a matemática não se prende ao calendário:
é fio invisível, tecido extraordinário.
Ela está no lar, no traço da colher,
na conta do pão que se parte ao amanhecer.
No comércio, é troco, é peso, é medida,
ritmo exato que ordena a vida.
Vai além: na terra onde o corpo se faz pó,
ainda há número regendo o só.
No cemitério, a geometria dispõe
lápides em progressão, e o tempo impõe
sua equação de pó e de perdão —
constante eterna, sem solução.
Antes, porém, na flor, no ninho, no gesto,
está o cálculo oculto, manifesto.
A simetria que a asa da borboleta traça,
a sequência que a concha no ventre embalaça.
Somos fração de um todo que não cessa,
variável lançada na grandeza.
Nascemos soma, vivemos função,
e até no fim, em decomposição,
resta o número, resta o padrão, a lei —
a matemática é o que nunca cessei.
Por isso, em toda parte, em cada instante,
do berço ao jazigo, do norte ao sul distante,
ela nos curva, nos ergue, nos define:
linguagem do mundo, beleza que não rui.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de março de 2026 15:00
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

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