###"O Dragão do Mar"
Autor: Claudio Gia
Macau, RN — Março de 2026
Nas águas salgadas do Porto do Mucuripe,
onde o Atlântico beija a terra de Iracema,
ergueu-se um homem que não era homem —
era maré, era tempestade, era destino.
Francisco José do Nascimento:
o Dragão que aprendeu a cuspir fogo
nas correntes de ferro do império.
Aquele 25 de março de 1884 —
não foi data. Foi fissura no tempo.
Foi o dia em que o cais recusou
o peso morto da carne escravizada.
Chico da Matilde disse não
com a força de quem carrega
o mundo nas costas de jangada.
E o mundo, pela primeira vez,
inclinou-se para ouvir.
De Fortaleza ao Rio —
não foi viagem. Foi profecia náutica.
Jangada de pau de mulungu
transformada em púlpito flutuante,
em tribunal de águas,
em missiva viva endereçada
à consciência adormecida do império.
O Dragão navegou não para pedir,
mas para exigir que o mar
reconhecesse sua própria liberdade.
E hoje, na Arena que leva seu nome,
ergue-se um totem que não é de pedra —
é de pixels e memória,
é de realidade aumentada
que aumenta, de fato, a realidade:
a de que a abolição não foi dada,
foi tomada.
Não foi graça, foi luta.
Não foi lei, foi coragem.
Ventos de Liberdade sopram ainda
das velas invisíveis daquela jangada.
E nós, que herdamos o cais,
temos o dever de não desembarcar
nunca mais do compromisso
que ele nos legou:
fazer da liberdade não um porto,
mas uma navegação permanente.
Para Chico da Matilde,
primeiro a tocar a costa da emancipação,
e para todos os nomes que a história
ainda precisa aprender a soletrar.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 25 de março de 2026 18:37
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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