O PERFUME QUE PERMANECE DO AMOR

Sezar Kosta

Há um sopro invisível que me envolve

como a primavera que floresce sem aviso,

teu amor — fragrância leve — dança no ar,

repousa nos instantes mais simples

e transforma o comum em eternidade.

 

É chama que não se consome no vento,

ardendo suave nos dias mais frios,

um lume sereno que guia meus passos

quando a noite se alonga em silêncio,

e ainda assim insiste em amanhecer.

 

Não se mede em ouro, nem se guarda em mãos,

teu amor não se compra, nem se perde —

vive no gesto breve, no olhar que acolhe,

naquilo que o mundo esquece de ver

e que, ainda assim, sustenta tudo.

 

Há nele uma grandeza silenciosa,

como o mar que abraça todas as margens,

um sentido inteiro que preenche o vazio

e faz da vida mais do que passagem:

faz dela presença.

 

E eu respiro, então, esse perfume sem forma,

como quem aprende o valor do invisível —

pois amar é sentir o eterno no instante,

e saber, sem dúvida ou medida,

que há infinitos guardados em um só coração.

  • Autor: Sezar Kosta (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de março de 2026 08:28
  • Comentário do autor sobre o poema: O amor aqui descrito é como uma presença discreta que muda tudo sem fazer alarde, dando sentido até aos momentos mais simples do dia. Ele não é algo que se possa possuir ou medir, mas se revela em pequenos gestos, no cuidado silencioso e na constância que atravessa até os tempos difíceis. É uma força tranquila que orienta, aquece e sustenta, mesmo quando tudo parece vazio ou incerto. No fundo, fala de perceber o valor do que não se vê, entendendo que o verdadeiro amor transforma o instante em algo duradouro.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta, Luana Santahelena
  • Em coleções: Meus Poemas de Amor.


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