Sezar Kosta

O PERFUME QUE PERMANECE DO AMOR

Há um sopro invisível que me envolve

como a primavera que floresce sem aviso,

teu amor — fragrância leve — dança no ar,

repousa nos instantes mais simples

e transforma o comum em eternidade.

 

É chama que não se consome no vento,

ardendo suave nos dias mais frios,

um lume sereno que guia meus passos

quando a noite se alonga em silêncio,

e ainda assim insiste em amanhecer.

 

Não se mede em ouro, nem se guarda em mãos,

teu amor não se compra, nem se perde —

vive no gesto breve, no olhar que acolhe,

naquilo que o mundo esquece de ver

e que, ainda assim, sustenta tudo.

 

Há nele uma grandeza silenciosa,

como o mar que abraça todas as margens,

um sentido inteiro que preenche o vazio

e faz da vida mais do que passagem:

faz dela presença.

 

E eu respiro, então, esse perfume sem forma,

como quem aprende o valor do invisível —

pois amar é sentir o eterno no instante,

e saber, sem dúvida ou medida,

que há infinitos guardados em um só coração.