Há um sopro invisível que me envolve
como a primavera que floresce sem aviso,
teu amor — fragrância leve — dança no ar,
repousa nos instantes mais simples
e transforma o comum em eternidade.
É chama que não se consome no vento,
ardendo suave nos dias mais frios,
um lume sereno que guia meus passos
quando a noite se alonga em silêncio,
e ainda assim insiste em amanhecer.
Não se mede em ouro, nem se guarda em mãos,
teu amor não se compra, nem se perde —
vive no gesto breve, no olhar que acolhe,
naquilo que o mundo esquece de ver
e que, ainda assim, sustenta tudo.
Há nele uma grandeza silenciosa,
como o mar que abraça todas as margens,
um sentido inteiro que preenche o vazio
e faz da vida mais do que passagem:
faz dela presença.
E eu respiro, então, esse perfume sem forma,
como quem aprende o valor do invisível —
pois amar é sentir o eterno no instante,
e saber, sem dúvida ou medida,
que há infinitos guardados em um só coração.