ALMA SOTURNA

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

O sol se debruçou sobre meu rosto

Um brasido a crepitar em chamas

Refulgentes horas de desgosto

No coração chagado que te ama!

 

Alma Soturna... divinamente pura!

Abra-se em flores de míseras vaidades

Tateio sombras em cinzas de amargura

No pátio alucinante da imortalidade!

 

A espalhar-se em pétalas de luzes

Esses espinhos a enfeitar as cruzes

São asas paradas do meu desejo;

 

Desvairada e tonta ando a vagar...

Leves passos em nuvens a flutuar...

Quimera d’Alma em sangrentos beijos!

 

 

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 24 de março de 2026 19:59
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: O Sol aqui é um "brasido a crepitar". Ele não ilumina; ele consome. A sobreposição de "horas de desgosto" com o "coração chagado" remete à imagem sacra do Coração de Jesus, mas transposta para o martírio do amor humano. A dor aqui é solar, exposta e ardente. Você faz uma invocação quase religiosa à própria alma, chamando-a de "divinamente pura", mas pedindo que ela se abra em "flores de míseras vaidades". Isso sugere que o sofrimento, de certa forma, é a joia que a alma ostenta. O "pátio alucinante da imortalidade" evoca uma sensação de labirinto espiritual onde o eu lírico vaga entre sombras e cinzas. A imagem dos "espinhos a enfeitar as cruzes" é fortíssima. Você transforma o instrumento de tortura em algo ornamental. Ao dizer que esses espinhos são "asas paradas", você sugere que o desejo está paralisado pela dor; a vontade de voar (o amor) está pregada à realidade do sofrimento (a cruz). O eu lírico está "tonto", "desvairado", flutuando em nuvens, mas o beijo que encerra o poema é "sangrento". É a união máxima entre o prazer e a dor. A "Quimera d’Alma" mostra que tudo isso pode ser um sonho febril, uma busca por algo impossível que fere ao ser tocado. Você utiliza símbolos clássicos do sofrimento cristão para desenhar a anatomia de um amor que é, ao mesmo tempo, uma condenação e uma obra de arte.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 203
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua, Francisco Queiroz
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários5

  • Shmuel

    Coisa linda e com requinte clássico! Adorei de verdade.

    Abraços

    • Vilma Oliveira

      Gratidão pela leitura e comentário. Meu abraço fraterno.

      • Vilma Oliveira

        Obrigada amigo poeta por suas palavras.
        Abraço fraterno.

      • LEIDE FREITAS

        Que lindo soneto!
        O amor ainda é fonte inesgotável de poesia.

        Boa Noite! Até breve!


        • Vilma Oliveira

          Obrigada amiga poetisa por seu comentário.
          Meu abraço fraterno.

        • Apegaua

          Bravos, seja com qual palavras ditas, ou os mais concorridos termos.
          Se o protagonista for o amor, a chance da colheita sempre e grande.
          Parabéns pela inspiração.
          Apegaua.

        • Hélio Paduan

          Parabéns!!! Show!

        • Sezar Kosta

          Vilma, sua poesia é de uma densidade impressionante, um verdadeiro mergulho no simbolismo onde a dor e a beleza dançam entre chamas e cinzas. É visceral a forma como você descreve essa 'Alma Soturna', que mesmo entre espinhos e cruzes, busca asas para o desejo e luz para a sua própria amargura. Obrigado por nos permitir caminhar com você por esse 'pátio alucinante', onde a sensibilidade é tão forte que transforma o sofrimento em uma obra de arte imortal.



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