Não é fraqueza o que não se move.
Existe um tipo de força
que só quem cala conhece,
a de não responder ao que não pergunta,
a de não preencher o vazio com ruído.
Fazer nada não é esvaziar,
é escolher não girar a chave
onde não há porta.
É uma ação!
A sabedoria é uma cadeira vazia na varanda.
Compreender que o movimento, às vezes,
é apenas a ilusão de quem tem medo de parar.
É confiar na lentidão que esculpe,
na demora que sedimenta o que é real
Minha ânsia por agir é um grito muito antigo
[Se não faço, não sou.]
Mas e se o ser não depender do fazer?
E se permanecer
for mais compreensão do que gesto?
E por que resisto ao que já é?
O desconforto e o contentamento cabem no mesmo peito.
Não são inimigos, são vizinhos e testemunhas
de que ainda estou aqui, inteira.
Preciso voltar e aprender o ritmo que é meu,
não o que a pressão fabrica.
Deixar e entender que os outros marche no tempo que lhe cabe,
sem querer sincronizar o que é único.
Confiar no processo lento
é um ato de coragem contra a tirania do hoje.
Tem um lugar dentro do peito,
onde a culpa não chegou,
onde a ansiedade perdeu o endereço.
É para lá que volto,
não para fugir de mim,
mas para lembrar
que minha existência,
agora,
do jeito que está,
já é suficiente.
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de março de 2026 00:41
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua

Offline)
Comentários1
Se entendi, você quer dizer que continua a mesma, mesmo todos nos indo para 10 G?
Seja feliz e de lembranças minhas ao silencio.
Prazer.
Apegaua.
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