Era um pedaço de papel.
Dentro,
uma carta.
Desejos de melhora,
luta,
força,
como se as palavras
— ainda —
pudessem sustentar alguém.
Um rapaz,
dezesseis, dezessete talvez,
cheio de futuro
no tempo presente.
Releio.
As frases permanecem,
mas algo nelas
se move —
ou sou eu?
Foi assim?
Ou fui eu
que aprendi
a lembrar diferente?
O passado —
antes tão exato —
agora se esquece
dos detalhes.
Procuro o rapaz
entre as linhas.
Ele não responde.
Ficou
no que escrevi
ou no que,
sem perceber,
apaguei?
Sigo.
Não no papel —
em mim —
onde a memória
reescreve
sem pedir licença.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 23 de março de 2026 13:58
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 17

Offline)
Comentários2
Olá poeta! Boa noite! O papel é estático (as frases permanecem), mas a interpretação é viva e mutável (algo nelas se move). O autor questiona a fidelidade do que foi escrito contra a subjetividade da lembrança. O rapaz de dezesseis anos é tratado como um objeto de busca, alguém que não responde. Existe uma ruptura clara entre o narrador atual e a versão juvenil de si mesmo. O fechamento sugere que lembrar não é recuperar um fato, mas um ato de reescrita. A memória é apresentada como uma força autônoma que reescreve sem pedir licença, transformando o passado em algo fluido e, por vezes, falho. O estilo é econômico, com versos curtos que ditam um ritmo de hesitação e descoberta, refletindo a própria natureza fragmentada das lembranças. Meu abraço poético!
Boa tarde, poeta! Gratidão pelo carinho de sempre! Abraços poéticos!
Excelente poema. Até breve!
Muito obrigado, poeta! Uma ótima tarde! Abraços poéticos!
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