Era um pedaço de papel.
Dentro,
uma carta.
Desejos de melhora
luta,
força,
como se as palavras
pudessem sustentar alguém.
Um rapaz,
dezesseis, dezessete talvez,
cheio de futuro
no tempo presente.
Releio.
As frases permanecem,
mas algo nelas
se move.
Foi assim?
Ou fui eu
que aprendi a lembrar diferente?
O passado —
antes tão exato —
agora falha
nos detalhes.
Procuro o rapaz
entre as linhas.
Ele não responde.
Ficou
no que escrevi
ou no que apaguei?
Sigo.
Não no papel —
em mim —
onde a memória
reescreve
sem pedir licença.