Casa

Joaquim Saial


A casa está vazia,
os que lá viviam emigraram.


Os móveis foram vendidos,
as roupas levadas em malas
e o resto deitado fora.


Agora não se ouve a palavra fome.


E está para chegar uma nova família:
duas crianças, mãe e pai.


Mas ele, que é bancário,
ainda não sabe que a agência onde trabalha vai fechar
e que dentro de um mês será despedido.

 

Do livro "Poemas para a hora de Ponta", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019

  • Autor: Joaquim Saial (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de março de 2026 07:39
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 18
  • Em coleções: Social.
Comentários +

Comentários2

  • Maria dorta

    Gostei do poema!

    • Joaquim Saial

      Obrigado pela preferência.

    • Maria do Socorro Domingos

      Versos maravilhosos que demonstram a solidão de uma casa vazia, o desfazimentos de um lar, em consequência dos reveses que a vida , muitas vezes, nos impõe!
      Um tema triste, mas real e ditado com muita maestria.
      Parabéns, poeta!
      Um abraço.

      • Joaquim Saial

        Muito obrigado pela sua simpática e acertada crítica a este poema.
        Os meus cumprimentos.
        JS



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