Joaquim Saial

Casa


A casa está vazia,
os que lá viviam emigraram.


Os móveis foram vendidos,
as roupas levadas em malas
e o resto deitado fora.


Agora não se ouve a palavra fome.


E está para chegar uma nova família:
duas crianças, mãe e pai.


Mas ele, que é bancário,
ainda não sabe que a agência onde trabalha vai fechar
e que dentro de um mês será despedido.

 

Do livro \"Poemas para a hora de Ponta\", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019