A casa está vazia,
os que lá viviam emigraram.
Os móveis foram vendidos,
as roupas levadas em malas
e o resto deitado fora.
Agora não se ouve a palavra fome.
E está para chegar uma nova família:
duas crianças, mãe e pai.
Mas ele, que é bancário,
ainda não sabe que a agência onde trabalha vai fechar
e que dentro de um mês será despedido.
Do livro \"Poemas para a hora de Ponta\", ed. Cordel de Prata, Lisboa, 2019